Não sei, todos vivem falando para me amar do jeito que sou, mas não dá. Juro que de vez em quando tento olhar para o espelho de um jeito diferente, tem vezes que quase consigo acreditar dos elogios, mas não dá, não desce, não parece real.
Queria muito me aceitar assim, me amar do jeitinho que sou e coisa e tal, mas não entra na minha cabeça, me sinto na maioria do tempo a pior entre todas, já perdi as vezes que chorei olhando no espelho encarando meu corpo nu, meu rosto inchado e desejei que tudo fosse diferente.
Pergunto-me por que me quebraram desse jeito, por que repetiram tantas vezes aquelas palavras que doem até hoje, por que me quebraram tanto, me espatifaram em milhões de pedaços.
Em raras ocasiões me sinto linda, fico em paz com toda minha aparência, mas aí como se fosse uma porção mágica perdendo efeito, vou reparando todas as coisas que detesto em mim e todos aquelas pensamentos vem à tona, aquelas risadas voltam a me perturbar e dói, dói tanto.
Todos dizem que beleza não importa, mas importa sim, dá para perceber nitidamente a diferença no dia a dia e isso machuca, queria muito saber como é ser atraente, como é sair bem em todas as fotos e se sentir bem com qualquer roupa.
Que tolice a minha, com tantas coisas importantes acontecendo por aí e eu pensando nessas minhas “frescuras”, ninguém me entende muito bem mesmo.
Acho que essa cisma com meu peso, meu nariz, minhas orelhas e todo resto, esse medo de se encarar no espelho e esse receio em aparecer em fotos, todo esse complexo de inferioridade irá continuar comigo por um longo tempo ainda...
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